Magalu Delivery estreia em 400 cidades e leva a disputa do delivery para o interior

Magalu Delivery integra comida, mercado e farmácia ao app da varejista e abre uma nova vitrine digital para negócios de 400 cidades.

O Magalu Delivery começou a operar em mais de 400 cidades de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, levando pedidos de refeições, supermercado, farmácia e conveniência para dentro do aplicativo do Magazine Luiza. Com entregas previstas em até 60 minutos e implantação progressiva, a novidade coloca a varejista em uma disputa que envolve frequência de compra, dados de consumo e presença no comércio local.

O lançamento não representa a criação de uma operação totalmente nova. A estrutura utiliza a tecnologia e a experiência do Aiqfome, plataforma adquirida pelo Magalu em 2020 e já consolidada em cidades do interior. O aplicativo do Aiqfome continuará funcionando, enquanto os estabelecimentos participantes ganham uma segunda vitrine no ambiente digital do Magalu.

Segundo a Exame, cerca de 23 mil restaurantes já estão disponíveis no novo canal. A estratégia procura converter a audiência do aplicativo da varejista, que a companhia informa superar 50 milhões de usuários ativos mensais, em pedidos de alta recorrência.

O interior virou o ponto de partida da expansão

Em vez de começar pelas capitais mais disputadas, o Magalu escolheu territórios nos quais o Aiqfome já possui conhecimento operacional, restaurantes cadastrados e relacionamento com empreendedores locais. A plataforma está presente em mais de 500 municípios, com atuação relevante em cidades pequenas e médias.

Essa escolha reduz parte do desafio de construir oferta e reconhecimento do zero. Em grandes centros, concorrentes como iFood, 99Food, Rappi e Keeta disputam consumidores, restaurantes e entregadores com campanhas intensas. No interior, o Magalu pode explorar a capilaridade de uma operação já existente e a familiaridade de sua própria marca.

A estratégia também reconhece que o mercado de delivery brasileiro não é homogêneo. Distâncias, densidade urbana, disponibilidade de entregadores e hábitos de consumo variam de uma cidade para outra. Um modelo que funciona em uma capital pode ser caro ou inadequado em um município de médio porte.

Para o consumidor, a mudança mais visível é a possibilidade de encontrar estabelecimentos próximos dentro de um aplicativo que já utiliza para outras compras. A jornada elimina a necessidade de instalar uma nova plataforma, criar outro cadastro e aprender uma interface desconhecida. Ainda assim, conveniência técnica não garante adoção. O Magalu precisará fazer o público associar sua marca não apenas a eletrodomésticos e eletrônicos, mas também ao almoço, à compra urgente de farmácia e aos itens cotidianos.

A frequência de compra é o ativo central

Produtos duráveis possuem ciclos longos de reposição. Um cliente pode comprar um celular ou uma geladeira e passar meses sem voltar ao aplicativo. Refeições, alimentos e itens de conveniência têm uma recorrência muito maior e podem transformar a relação entre consumidor e plataforma.

Em entrevista à Exame, o CEO do Aiqfome, Igor Remigio, comparou aproximadamente três pedidos anuais feitos por um consumidor ativo do Magalu com 3,5 pedidos mensais no aplicativo de delivery. Os números ajudam a explicar a lógica do lançamento. Mais acessos recorrentes podem ampliar o conhecimento sobre preferências locais e criar novas ocasiões para ofertas, fidelização e vendas cruzadas.

Essa possibilidade, porém, depende da execução. Um botão dentro do aplicativo só produz valor quando existe oferta relevante, cardápio atualizado, prazo confiável, atendimento eficiente e preço competitivo. Se qualquer um desses componentes falhar, a audiência existente não se converte automaticamente em pedidos.

A companhia pretende apoiar a divulgação na influenciadora virtual Lu, em criadores locais e em sua rede de quase 1.250 lojas físicas, conforme apurou a Exame. Essa combinação dá ao lançamento um componente omnicanal difícil de reproduzir. A loja pode apresentar o serviço a consumidores da região, enquanto campanhas locais ajudam a adaptar a comunicação aos hábitos de cada município.

Os estabelecimentos ganham outra vitrine sem duplicar a gestão

Para restaurantes, mercados e farmácias, a principal promessa é acessar a audiência do Magalu sem manter uma operação separada para cada canal. O Aiqfome desenvolveu um integrador no qual o comerciante pode administrar cardápio, preços, disponibilidade e pedidos de diferentes plataformas.

De acordo com o Mercado&Consumo, a coalizão inclui Aiqfome e outras oito marcas regionais. Juntas, Plus Delivery, Quero Delivery, Uai Rango, Pede.ai, Aiboo, Qfome, Pedidos10 e Amo Ofertas alcançam 1.170 cidades e reúnem 55 mil estabelecimentos ativos.

O modelo sugere uma alternativa à expansão baseada exclusivamente em uma única marca nacional. O Magalu agrega operações que já conhecem os mercados locais e oferece distribuição dentro de seu aplicativo. Para o estabelecimento, isso pode significar alcance adicional sem refazer o catálogo em cada vitrine.

A centralização também reduz um problema comum na operação multicanal. Quando preço, disponibilidade e pedidos são atualizados manualmente em vários sistemas, aumentam as chances de ruptura, cancelamento e divergência de cardápio. Uma integração eficiente ajuda a diminuir essas falhas, embora o comerciante ainda precise acompanhar indicadores por canal e conferir se o aumento das vendas preserva sua margem.

O seller deve analisar o custo total de cada pedido

A entrada em um novo canal não deve ser avaliada apenas pelo volume bruto. Restaurantes e varejistas locais precisam calcular comissão, embalagem, eventuais descontos, custo de entrega, impostos, perdas e tempo de preparação. A rentabilidade pode variar conforme a categoria, a distância e a responsabilidade logística.

Também é importante entender quem controla o relacionamento com o consumidor. Dados acessíveis, regras de campanha, destaque no aplicativo e capacidade de estimular recompra determinam quanto valor o estabelecimento consegue construir além da transação imediata. Dependência excessiva de promoções pode gerar movimento sem formar uma base rentável.

O Tecnoblog confirmou com o Magalu que o serviço será ampliado gradualmente. Portanto, cobertura, disponibilidade de categorias e condições comerciais devem ser verificadas em cada localidade, sem presumir que o funcionamento será idêntico em todas as cidades anunciadas.

A logística continua sendo o teste mais difícil

O prazo de até 60 minutos cria uma expectativa relevante, mas não elimina a complexidade da última milha. Segundo a Exame, a maior parte das entregas da estrutura atual fica sob responsabilidade dos próprios estabelecimentos. Cerca de 10% passa pelo Aiqentrega, serviço que reúne mais de 1.800 entregadores.

Essa configuração reduz a necessidade de construir imediatamente uma frota nacional, porém torna a experiência dependente de múltiplos operadores. O cliente enxerga o pedido dentro do Magalu e tende a atribuir à marca qualquer atraso, item incorreto ou problema de atendimento, mesmo quando a execução foi realizada pelo restaurante.

Para preservar confiança, a plataforma precisará manter padrões claros de prazo, rastreamento, cancelamento, reembolso e suporte. A qualidade também deverá ser acompanhada por cidade e por estabelecimento. Médias nacionais podem esconder problemas locais capazes de comprometer a adoção do serviço em uma região inteira.

O lançamento aproxima varejo e consumo cotidiano

O Magalu Delivery amplia a ideia de superapp ao reunir compras de baixa e alta frequência no mesmo ambiente. Para o grupo, a oportunidade não está somente na entrega de comida. Mercado, farmácia e conveniência aproximam a plataforma de necessidades recorrentes e criam mais pontos de contato com o consumidor.

Para marcas e sellers, essa convergência pode abrir espaço para campanhas vinculadas a ocasiões de consumo, localidades e horários. Também pode fortalecer soluções de mídia dentro do aplicativo. Trata-se, por enquanto, de uma possibilidade estratégica, não de um resultado confirmado pelo lançamento.

Há riscos importantes. A competição exige equilíbrio entre incentivos, nível de serviço e rentabilidade. A existência de milhões de usuários no aplicativo reduz a barreira de aquisição, mas não elimina o custo de mudar hábitos. Além disso, integrar diversos parceiros exige governança tecnológica e operacional consistente.

O próximo capítulo será definido pela recorrência

O início em mais de 400 cidades dá escala relevante ao Magalu Delivery, mas o indicador decisivo será a capacidade de gerar pedidos recorrentes com boa experiência e economia sustentável. Quantidade de municípios e estabelecimentos representa oferta potencial; retenção, prazo cumprido e margem mostrarão se a estratégia funciona.

O movimento merece atenção dos negócios locais porque transforma um aplicativo nacional de varejo em mais um canal de descoberta e venda regional. Para concorrentes, reforça que a disputa do delivery não ficará restrita às capitais nem será vencida apenas por quem investir mais em cupons.

Se conseguir combinar audiência, operação regional e integração tecnológica, o Magalu poderá construir uma presença mais frequente na rotina do consumidor. Para sellers e estabelecimentos, a resposta mais prudente é testar o canal com metas claras, medir o lucro por pedido e acompanhar a qualidade da operação antes de ampliar a dependência da nova vitrine.

Perguntas frequentes sobre o Magalu Delivery

O que é o Magalu Delivery

É um serviço integrado ao aplicativo do Magazine Luiza para pedidos de refeições, supermercado, farmácia e conveniência, apoiado na tecnologia e na operação do Aiqfome.

Em quais lugares o serviço está disponível

O lançamento começou em mais de 400 cidades de Minas Gerais, Paraná e São Paulo. A disponibilidade é progressiva e deve ser consultada no aplicativo conforme a localização do consumidor.

Qual é o prazo de entrega anunciado

O Magalu informa entregas em até 60 minutos. O prazo efetivo pode variar conforme estabelecimento, distância, demanda e estrutura logística de cada cidade.

O aplicativo do Aiqfome deixará de funcionar

Não. O Aiqfome continuará com aplicativo próprio. O Magalu Delivery funciona como um canal adicional para consumidores e estabelecimentos participantes.

Como restaurantes e lojas administram os pedidos

Um integrador desenvolvido pelo Aiqfome permite gerenciar cardápio, preços, disponibilidade e pedidos de diferentes plataformas em um hub centralizado.

O que um estabelecimento deve avaliar antes de aderir

É necessário analisar comissão, logística, embalagem, descontos, impostos, margem por pedido, acesso a dados, regras de atendimento e capacidade de manter o catálogo atualizado.

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