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A Centauro levou cinco anos para transformar creators em canal de venda real e o resultado chegou a R$ 185 milhões

  • E-commerce Planet
  • 17 de setembro de 2026
  • 09:04

Em 2021, a Centauro iniciou uma operação de social commerce com R$ 970 mil em faturamento. No segundo trimestre de 2026, o canal acumulou R$ 183,2 milhões em receita desde o início e já representa entre 5% e 6% de toda a receita digital da companhia. Apenas no primeiro semestre deste ano, o social commerce movimentou mais de R$ 42 milhões.

Esses números não surgiram de uma virada tecnológica nem de um investimento em publicidade de alto impacto. Surgiram de cinco anos de construção metódica de um modelo que a maioria do varejo digital ainda tenta descobrir às pressas: o creator como canal de venda estruturado, gerenciado com a mesma disciplina operacional de um centro de distribuição.

O que a Centauro construiu não é um programa de influenciadores. É uma infraestrutura de distribuição de conteúdo com atribuição mensurável, funil de conversão definido e governança ativa sobre quem entra, como performa e quanto ganha. A diferença entre os dois é exatamente o que separa R$ 970 mil de R$ 185 milhões.


Por que a primeira tentativa não funcionou

Jaques Weltman, diretor de Digital da Centauro, é direto sobre isso: a empresa tentou social commerce mais de uma década atrás e o projeto não foi adiante. A razão não foi falta de visão — foi falta de mercado maduro para suportar a estratégia. Os creators não tinham as ferramentas, o público não tinha o comportamento de compra via conteúdo e as plataformas não ofereciam a integração entre recomendação e checkout que existe hoje.

Esse contexto importa porque explica por que simplesmente copiar o modelo da Centauro em 2021 não teria funcionado em 2016 — e por que copiar hoje, sem entender o que mudou, também não garante resultado. O social commerce brasileiro ganhou condições de funcionar em escala porque o TikTok Shop chegou, o Instagram Shopping amadureceu, os creators profissionalizaram suas operações e o consumidor incorporou a lógica de descobrir e comprar dentro do mesmo ambiente. Esses fatores não existiam antes — e eles são o solo no qual o modelo da Centauro cresceu.


O modelo fechado que a maioria dos programas de afiliados ignora

A escolha mais contra-intuitiva da Centauro foi operar com um modelo fechado de curadoria de creators, em vez de abrir o programa para qualquer influenciador que quisesse participar.

Em um mercado onde a lógica dominante é de volume — mais afiliados, mais links, mais potencial de alcance —, a Centauro foi na direção oposta. A empresa faz curadoria ativa dos creators que entram no programa, avalia o alinhamento com o universo esportivo e lifestyle da marca, e mantém uma rede gerenciada que privilegia qualidade de conversão sobre quantidade de participantes.

Essa escolha tem uma lógica operacional direta: quanto menor e mais curado é o grupo, mais fácil é treinar, engajar e manter a consistência de mensagem. Um creator que entende de corrida de rua vai recomendar o tênis certo para o público certo com a linguagem certa — algo que um afiliado genérico buscando comissão em qualquer categoria não consegue replicar. E a prova está nos dados: corrida de rua é a categoria que mais vende no canal, seguida por basquete e linha casual — exatamente as modalidades onde a comunidade de praticantes tem alta afinidade com conteúdo especializado.


O funil de três camadas que nenhum programa de influenciadores costuma ter

A arquitetura de creators da Centauro é organizada em três perfis com funções distintas dentro do funil de marketing — e essa estrutura é um dos elementos mais replicáveis do modelo para operações de outros setores.

No topo do funil estão os grandes influenciadores, com audiências amplas e perfil de awareness. Eles não vendem diretamente — posicionam a marca no radar de um público que ainda não está em modo de compra. A função desse grupo é gerar descoberta e associação de marca com o universo esportivo.

No meio do funil estão os especialistas de modalidade: o creator que corre maratona, o que joga basquete três vezes por semana, o que treina musculação com método. Esse perfil tem audiência menor e mais qualificada — pessoas que já praticam a modalidade, que querem recomendação técnica de quem realmente usa o produto. A função aqui é consideração: convencer quem já tem intenção de compra de que aquele produto específico é a escolha certa.

No fundo do funil estão os micro e nano influenciadores com foco em conversão direta. Perfis com audiências menores ainda, mas com altíssima taxa de engajamento e confiança — o seguidor que compra porque o creator recomendou, não porque a marca anunciou.

Essa segmentação resolve um problema clássico dos programas de afiliados: a confusão entre alcance e conversão. Um creator com 2 milhões de seguidores pode ser ideal para awareness e péssimo para conversão direta. Um nano creator com 8 mil seguidores pode ter taxa de conversão dez vezes maior. Usar os dois da mesma forma — com o mesmo briefing, o mesmo link de afiliado e a mesma expectativa de resultado — é desperdiçar o potencial de ambos.


A plataforma proprietária que transforma creator em operação

Um dos elementos menos visíveis — e mais estratégicos — do modelo da Centauro é a existência de uma plataforma própria de gestão do social commerce, chamada Social Comm, desenvolvida internamente.

Essa ferramenta centraliza a geração de links personalizados por creator, o acompanhamento de métricas em tempo real, a inteligência de dados sobre performance por modalidade e categoria, e a gestão de comissionamento. Em vez de usar uma plataforma terceira de afiliados com funcionalidades genéricas, a Centauro construiu a infraestrutura específica para o seu modelo — e isso muda a qualidade dos dados disponíveis para tomada de decisão.

Com dados próprios e granulares, a empresa consegue identificar quais creators convertem mais em qual categoria, em qual momento do mês, com qual tipo de conteúdo. Isso permite otimização contínua que plataformas de afiliados genéricas não viabilizam com a mesma profundidade.

Para marcas e varejistas que estão iniciando operações de social commerce, a mensagem prática é clara: a escolha da ferramenta de gestão importa tanto quanto a escolha dos creators. Dados de atribuição imprecisos ou incompletos tornam impossível saber o que está funcionando — e sem saber isso, o investimento no canal é basicamente um ato de fé.


A expansão para a Nike Brasil e o que ela revela

Um dado que passou relativamente despercebido nas análises do case Centauro: o modelo de social commerce validado internamente foi expandido para a operação da Nike no Brasil, também gerida pelo Grupo SBF.

Esse movimento conta uma história importante sobre como encarar social commerce como competência de negócio, não apenas como iniciativa de marketing. Quando uma empresa consegue replicar um modelo de vendas em uma segunda marca — com dinâmica diferente, posicionamento diferente e público parcialmente diferente —, ela prova que o que foi construído é um sistema, não um acidente.

Para o Grupo SBF, o social commerce passou de experimento da Centauro para capacidade do grupo. Essa transição é exatamente o que separa uma operação madura de uma série de testes bem-sucedidos.


O que outros varejistas e sellers podem aprender

O case da Centauro não é aplicável apenas para grandes varejistas esportivos com time de TI para construir plataforma proprietária. Os princípios por trás do resultado são acessíveis em diferentes escalas — o que muda é a ferramenta, não a lógica.

O primeiro princípio é a curadoria sobre volume. Ter menos creators mais alinhados com a proposta da marca gera mais resultado do que ter muitos afiliados com pouco comprometimento. Para sellers menores, isso pode significar trabalhar com cinco micro creators de nicho em vez de distribuir links para centenas de perfis genéricos.

O segundo é a segmentação por função no funil. Nem todo creator serve para conversão direta — e forçar esse papel em quem foi feito para awareness é desperdiçar os dois. Definir claramente o que se espera de cada perfil, com métricas correspondentes, é o que permite avaliar resultado com honestidade.

O terceiro é o investimento em dados de atribuição. Saber de qual creator, em qual plataforma, com qual tipo de conteúdo veio cada venda é o que permite escalar o que funciona e cortar o que não funciona. Sem essa visibilidade, social commerce é marketing de influência com resultados impossíveis de separar do ruído.

O quarto é o tempo de construção. O resultado de R$ 185 milhões da Centauro levou cinco anos. Quem entra no social commerce esperando resultado em 60 dias vai se frustrar — e potencialmente abandonar um canal antes de entender como ele funciona. A curva de aprendizado é real, e os dados da Centauro mostram que o crescimento acelera à medida que o modelo amadurece: R$ 16 milhões no primeiro trimestre de 2026, R$ 26 milhões no segundo, com a Copa do Mundo como acelerador mas a estrutura como base.


O contexto que coloca esse case no centro da estratégia de 2026

O social commerce brasileiro está em um ponto de inflexão que torna o estudo desse modelo especialmente relevante agora. A creator economy no Brasil atraiu R$ 23 bilhões em investimento anunciante em 2025 — crescimento de 15% sobre 2024. A Shopee tem mais de 5 milhões de afiliados cadastrados no Brasil. O TikTok Shop completou seu primeiro ano local com GMV 102 vezes maior do que no lançamento.

Esse ambiente cria tanto oportunidade quanto ruído. Com mais creators, mais plataformas e mais investimento disputando atenção, a diferenciação deixa de vir de quem tem mais influenciadores — e passa a vir de quem tem o modelo mais estruturado. O que a Centauro construiu em cinco anos é exatamente isso: não o maior programa de afiliados do varejo esportivo brasileiro, mas o mais estruturado.

Em um mercado que está aprendendo a usar creators como canal de venda, quem chegar com sistema já vai chegar na frente de quem ainda está no modo de experimentação.


Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é o social commerce da Centauro e como surgiu? É um canal de vendas estruturado em torno de creators e influenciadores do universo esportivo, iniciado em 2021 com faturamento de R$ 970 mil. Ao longo de cinco anos, evoluiu para uma operação que acumulou R$ 183,2 milhões em receita até o segundo trimestre de 2026, representando entre 5% e 6% de toda a receita digital da Centauro.

Por que a Centauro optou por um modelo fechado de creators? A empresa faz curadoria ativa dos influenciadores que entram no programa, priorizando alinhamento com o universo esportivo e lifestyle da marca em vez de volume de participantes. A lógica é que creators especializados — que realmente praticam as modalidades que recomendam — geram conversão mais qualificada do que afiliados genéricos buscando comissão em qualquer categoria.

Como funciona o funil de creators da Centauro? O modelo opera em três camadas: grandes influenciadores para awareness e descoberta de marca; especialistas de modalidade para consideração e recomendação técnica; e micro e nano influenciadores para conversão direta. Cada perfil tem métricas e objetivos distintos, evitando a confusão comum entre alcance e resultado de vendas.

O que é a plataforma Social Comm da Centauro? É uma plataforma proprietária desenvolvida internamente pelo Grupo SBF para gerenciar a operação de social commerce. Centraliza geração de links personalizados, acompanhamento de métricas em tempo real, inteligência de dados por categoria e modalidade, e gestão de comissionamento dos creators participantes.

O modelo da Centauro foi expandido para outras marcas? Sim. O modelo validado internamente foi expandido para a operação da Nike no Brasil, também gerida pelo Grupo SBF. Isso demonstra que o social commerce foi desenvolvido como competência do grupo, não apenas como iniciativa isolada de uma marca.

O que sellers menores podem aprender com o case da Centauro? Os princípios centrais são acessíveis em qualquer escala: curadoria sobre volume de creators, segmentação por função no funil, investimento em dados de atribuição para saber o que gera venda de verdade, e paciência com o tempo de construção. O resultado de R$ 185 milhões levou cinco anos — e acelerou à medida que o modelo amadureceu.


Cinco anos de construção, um modelo que o mercado ainda está tentando copiar

O que a Centauro fez não foi descobrir social commerce antes dos outros. Foi construir, de forma consistente e estruturada, um canal que a maioria do mercado ainda trata como complemento de marketing.

A diferença entre um programa de afiliados que gera R$ 970 mil por ano e um que acumula R$ 185 milhões em cinco anos não está no número de creators nem no orçamento de incentivos. Está na disciplina de curadoria, na clareza de função de cada perfil no funil, na qualidade dos dados de atribuição e na paciência para deixar o canal amadurecer antes de esperar resultado de escala.

Para varejistas e sellers que estão iniciando ou revisando sua estratégia de social commerce para a Black Friday 2026 e o ciclo que vem depois, o case da Centauro oferece algo mais valioso do que inspiração: oferece um roteiro com cinco anos de erros e acertos já processados.

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