iFood quer crescer 60% na Black Friday e muda a disputa do e-commerce brasileiro

iFood projeta crescer 60% na Black Friday 2026 e aposta em mercado, farmácia e pet. Entenda como a estratégia impacta o varejo digital.

A Black Friday 2026 promete intensificar uma transformação que já está acontecendo no comércio eletrônico brasileiro. O iFood, conhecido principalmente pelas entregas de refeições, agora quer ampliar sua participação nas compras de supermercado, farmácia, produtos para pets, beleza e outras categorias do varejo.

A plataforma projeta um crescimento de aproximadamente 60% nas vendas durante a Black Friday 2026, apoiada em uma estratégia que vai muito além dos restaurantes. A campanha terá seis semanas de duração, descontos anunciados de até 80% e ações direcionadas ao consumo cotidiano.

O movimento representa uma mudança importante no mercado digital. Aplicativos que antes atendiam necessidades específicas estão se transformando em ambientes completos de compra, competindo pela atenção, pelo orçamento e pela recorrência dos consumidores.

Para sellers, varejistas e indústrias, essa expansão merece atenção. Afinal, quando uma plataforma com milhões de usuários começa a vender produtos de diferentes segmentos, a disputa pelo consumidor muda de escala.

O iFood está deixando de ser apenas um aplicativo de comida

Durante anos, o iFood construiu sua presença no mercado brasileiro a partir de uma proposta relativamente simples: conectar consumidores a restaurantes e facilitar a entrega de refeições.

O aplicativo cresceu, conquistou relevância nacional e desenvolveu uma infraestrutura tecnológica e logística que agora permite explorar outras oportunidades comerciais.

Atualmente, as categorias que vão além das refeições já representam 35% dos negócios da plataforma. Além disso, aproximadamente um em cada três consumidores que compram comida pelo aplicativo também utiliza o iFood para adquirir produtos de mercado, farmácia, pet ou bebidas, segundo informações divulgadas pela empresa.

Essa mudança revela uma transformação no posicionamento da plataforma.

O consumidor deixa de abrir o aplicativo apenas quando quer pedir uma refeição e passa a considerá-lo em outras situações do cotidiano.

Precisa de um produto de higiene? Pode comprar pelo aplicativo.

Esqueceu um item do supermercado? Pode solicitar uma entrega.

Quer adquirir um produto para seu animal de estimação? Também encontra essa possibilidade.

A expansão cria novas oportunidades de consumo dentro de uma audiência que já possui familiaridade com a plataforma, métodos de pagamento cadastrados e confiança no processo de entrega.

Para o varejo, essa combinação representa uma vantagem competitiva relevante.

A Black Friday virou uma oportunidade para compras do dia a dia

Tradicionalmente, a Black Friday brasileira ficou associada a produtos de maior valor, como smartphones, televisores, eletrodomésticos e notebooks.

Entretanto, o comportamento do consumidor vem se tornando mais abrangente.

Além de buscar descontos em produtos duráveis, os brasileiros passaram a aproveitar o período promocional para economizar em compras recorrentes.

O iFood identificou essa mudança em sua própria operação.

Na Black Friday de 2025, vitaminas chegaram à quarta posição entre os produtos mais vendidos pela plataforma. Farmácias também ganharam destaque no período anterior à data promocional.

Esses resultados ajudam a explicar a estratégia adotada para 2026.

Em vez de concentrar as campanhas somente em grandes compras ocasionais, a empresa pretende estimular o consumo em categorias que fazem parte da rotina das famílias.

Essa abordagem é particularmente relevante porque itens de consumo frequente possuem potencial de recompra.

Um consumidor que compra um eletrodoméstico provavelmente não repetirá a mesma aquisição nas semanas seguintes.

Já um cliente que compra produtos de supermercado, cuidados pessoais ou itens para pets pode retornar diversas vezes durante o mês.

A oportunidade comercial, portanto, não está apenas no valor da primeira transação, mas também na possibilidade de construir recorrência.

Supermercados e farmácias estão entre as principais apostas

A vertical de mercado e atacado é um dos destaques da estratégia.

Após registrar crescimento superior a 53% durante a Black Friday anterior, o iFood projeta uma expansão de 61% nas vendas dessa categoria em 2026.

O desempenho sinaliza que a compra digital de produtos de supermercado está ganhando espaço em períodos promocionais.

Em farmácia, a plataforma também apresenta números expressivos.

Segundo a empresa, a categoria acumulou crescimento superior a 70% ao longo de 2026, impulsionada pela ampliação do portfólio, que inclui suplementos, produtos proteicos, perfumaria e cosméticos.

O segmento pet segue a mesma direção.

Com crescimento de 55% no ano, a vertical possui expectativa de expansão de três dígitos durante a Black Friday, contando com a participação de parceiros como Cobasi e Petz.

Esses indicadores refletem uma tendência mais ampla do comércio eletrônico.

O consumidor está cada vez mais disposto a comprar pela internet produtos que anteriormente adquiria quase exclusivamente em estabelecimentos físicos.

A conveniência se tornou um diferencial de venda

O crescimento dessas categorias também está relacionado à busca por praticidade.

Em muitos casos, o cliente não precisa necessariamente encontrar o menor preço absoluto do mercado.

Ele avalia uma combinação de fatores.

Preço competitivo, disponibilidade imediata, facilidade de pagamento, prazo de entrega e confiança na plataforma podem determinar sua escolha.

É nesse ponto que o modelo de quick commerce, comércio digital baseado em entregas rápidas, ganha relevância.

A conveniência deixa de ser apenas um benefício adicional e passa a fazer parte da proposta central de valor.

Para lojas virtuais tradicionais, isso significa enfrentar concorrentes que possuem diferentes estruturas de distribuição, experiência de compra simplificada e contato frequente com o consumidor.

Uma Black Friday que começa em outubro

Outro aspecto relevante é a duração da campanha.

O iFood anunciou uma programação de seis semanas, com início em 19 de outubro e encerramento em 30 de novembro de 2026.

A estratégia distribui as ofertas por diferentes momentos, em vez de concentrar a atividade comercial somente na última sexta-feira de novembro.

PeríodoCampanhaDesconto anunciado
19 a 31 de outubroAntecipa Black FridayAté 60%
1º a 22 de novembroAquecimentoAté 65%
11 de novembro11.11Até 80%
23 a 26 de novembroBlack WeekAté 80%
27 de novembroBlack FridayAté 80%
28 a 30 de novembroLiquida Black FridayAté 65%

Os descontos são condições máximas anunciadas pela plataforma, não reduções necessariamente aplicáveis a todos os produtos.

Essa organização mostra como a Black Friday está se transformando em uma temporada comercial.

Para o consumidor, existem mais oportunidades de acompanhar preços, comparar ofertas e distribuir compras ao longo de diferentes semanas.

Para os sellers, o cenário exige planejamento mais complexo.

Campanhas prolongadas precisam considerar disponibilidade de estoque, margem de contribuição, investimento publicitário, reposição de produtos e capacidade operacional.

Uma empresa que concentra todo seu orçamento na última sexta-feira pode perder oportunidades durante as etapas anteriores.

Por outro lado, antecipar descontos sem planejamento pode comprometer a rentabilidade durante o período mais competitivo.

A concorrência entre marketplaces está ficando mais ampla

A expansão do iFood evidencia uma tendência que vai além da Black Friday.

As fronteiras entre diferentes modelos de plataformas digitais estão se tornando menos rígidas.

Marketplaces tradicionais investem em logística rápida, publicidade e conteúdo.

Redes varejistas ampliam sua atuação digital.

Aplicativos de delivery incorporam novas categorias.

Plataformas de conteúdo passam a oferecer funcionalidades de compra.

O resultado é um ambiente no qual empresas com origens bastante diferentes competem pelas mesmas transações.

Para ilustrar essa transformação, imagine um consumidor que precisa comprar produtos de limpeza, suplementos e itens de higiene.

Anteriormente, ele poderia visitar um supermercado físico ou utilizar o aplicativo de uma rede varejista específica.

Agora, também pode encontrar esses produtos em um aplicativo que já utiliza regularmente para pedir refeições.

A plataforma ganha vantagem ao reduzir a necessidade de o consumidor procurar outro canal.

Essa disputa representa um desafio para sellers que dependem exclusivamente de preço.

Quando diferentes canais oferecem produtos semelhantes, fatores como experiência, entrega, reputação e relacionamento tornam-se determinantes.

O varejo está transformando audiência em novos negócios

Existe outro componente estratégico por trás da expansão.

Plataformas digitais que possuem uma audiência recorrente podem apresentar novas categorias aos usuários sem depender exclusivamente da aquisição de consumidores completamente desconhecidos.

O iFood afirma que 55% dos usuários utilizam a plataforma para comprar em categorias que antes não consideravam adquirir online.

Esse comportamento mostra como a descoberta de produtos pode acontecer dentro de ambientes digitais já consolidados.

Em vez de pesquisar diretamente em um buscador ou acessar uma loja específica, o cliente encontra uma oferta enquanto navega por um aplicativo familiar.

Para as marcas, isso cria uma nova oportunidade de visibilidade.

Entretanto, estar disponível na plataforma não garante vendas.

É necessário trabalhar posicionamento, qualidade do catálogo, competitividade, avaliações, disponibilidade e investimento comercial.

A experiência com marketplaces tradicionais demonstra que presença digital e desempenho comercial são conceitos diferentes.

Retail media e live commerce ganham protagonismo

A campanha também evidencia o crescimento das estratégias de publicidade dentro dos próprios ambientes de compra.

O iFood Ads pretende utilizar formatos de comunicação que incluem campanhas com criadores de conteúdo, mídia externa e transmissões ao vivo.

Entre 23 e 27 de novembro, a empresa prevê ativações de live commerce em um estúdio instalado no Shopping Tamboré, na Grande São Paulo.

A estratégia combina entretenimento, demonstração de produtos e conversão.

Ao aproximar conteúdo e transação, a plataforma busca estimular decisões de compra sem exigir que o usuário percorra várias etapas entre conhecer um produto e finalizar o pedido.

Segundo informações apresentadas pelo iFood, determinadas transmissões realizadas na plataforma registraram crescimento de até 517% na receita em comparação com os mesmos horários das 12 semanas anteriores.

Esse percentual representa resultados observados em transmissões específicas e não deve ser interpretado como crescimento médio de todas as operações que utilizam lives.

Ainda assim, o indicador ajuda a demonstrar o potencial do formato quando existe uma combinação adequada de audiência, oferta e apresentação.

O conteúdo passa a participar diretamente da conversão

Para sellers e indústrias, o desenvolvimento de formatos comerciais baseados em conteúdo traz uma consequência importante.

A qualidade de imagens, vídeos e demonstrações de produtos pode influenciar cada vez mais a capacidade de venda.

Uma oferta competitiva continua sendo necessária, mas a forma como o produto é apresentado também se torna relevante.

Isso amplia o papel das equipes de marketing, conteúdo e performance.

Campanhas precisam ser avaliadas não apenas por alcance ou engajamento, mas também por sua contribuição efetiva para as vendas.

O crescimento também aumenta a pressão sobre a operação

Expandir categorias e ampliar a frequência de compra gera oportunidades, mas também exige capacidade operacional.

Produtos de supermercado, farmácia, beleza e pet possuem particularidades diferentes das refeições.

Alguns precisam de controle de validade.

Outros exigem atenção às condições de armazenamento, integridade das embalagens, estoque e disponibilidade de variações.

Há também exigências específicas para determinadas categorias, especialmente quando envolvem produtos sujeitos a regulamentação sanitária.

Por isso, o crescimento do comércio digital de conveniência depende da conexão entre tecnologia, estoque, logística e atendimento.

Uma oferta atrativa pode gerar volume de pedidos rapidamente.

Mas erros de separação, rupturas, atrasos ou informações incorretas podem comprometer a experiência e reduzir a possibilidade de recompra.

Para os varejistas, a eficiência operacional se torna parte da estratégia de retenção.

O que os sellers podem aprender com a estratégia do iFood

Mesmo empresas que não comercializam seus produtos pelo iFood podem aproveitar os aprendizados apresentados por essa movimentação.

O primeiro deles é a importância de observar novas ocasiões de consumo.

Uma loja que vende produtos pet, por exemplo, não precisa concentrar sua comunicação apenas em campanhas de desconto.

Ela também pode trabalhar reposição, conveniência, combos e relacionamento recorrente.

O segundo aprendizado envolve diversificação de canais.

A expansão de plataformas para novas categorias mostra que a audiência pode surgir em ambientes diferentes dos marketplaces tradicionalmente utilizados pelos sellers.

Entretanto, ampliar presença não significa cadastrar indiscriminadamente todo o catálogo.

Cada canal precisa ser avaliado considerando perfil de consumidor, custos, estrutura logística e potencial de rentabilidade.

Outro ponto importante é o planejamento promocional.

Com a Black Friday distribuída ao longo de várias semanas, empresas precisam construir estratégias capazes de manter competitividade sem comprometer o resultado financeiro.

Isso envolve definir produtos prioritários, calcular margens, negociar condições comerciais e acompanhar indicadores diariamente.

Por fim, a recorrência deve fazer parte da análise.

Uma promoção pode ser rentável não apenas pela margem da primeira venda, mas pela possibilidade de conquistar consumidores que continuarão comprando depois do período promocional.

Entretanto, essa expectativa precisa ser comprovada por dados de recompra e retenção, não utilizada para justificar descontos sem controle.

O próximo capítulo do e-commerce será a disputa pela rotina do consumidor

A estratégia do iFood para a Black Friday 2026 revela uma transformação significativa.

O comércio eletrônico não está crescendo somente pela digitalização de compras tradicionais.

Ele também está ampliando sua presença em atividades cotidianas.

Supermercado, farmácia, produtos pet, beleza, alimentação e serviços passam a conviver em ambientes digitais que buscam resolver diferentes necessidades de um mesmo consumidor.

A competição deixa de acontecer exclusivamente entre lojas que vendem produtos semelhantes.

Passa a envolver plataformas capazes de concentrar audiência, oferecer conveniência e estimular compras recorrentes.

Para sellers, indústrias e varejistas, esse cenário exige uma visão mais ampla sobre distribuição digital.

Não basta identificar onde os concorrentes estão vendendo.

É necessário compreender onde o consumidor está passando seu tempo, como ele descobre produtos, quais fatores determinam suas decisões e o que faz uma compra se repetir.

A Black Friday de 2026 pode acelerar essa transformação.

Mas seu impacto mais relevante provavelmente será percebido depois de novembro, quando as plataformas tentarem converter compradores ocasionais em clientes habituais.

No novo e-commerce, conquistar uma venda continua importante. Conquistar um espaço permanente na rotina do consumidor pode ser ainda mais valioso.


FAQ

Quanto o iFood espera crescer na Black Friday 2026?

O iFood projeta crescimento aproximado de 60% nas vendas durante a campanha de Black Friday 2026, com destaque para categorias como supermercado, farmácia, pet e produtos de beleza.

Quando começa a Black Friday do iFood em 2026?

A campanha começa em 19 de outubro de 2026 e segue até 30 de novembro, distribuída em seis etapas promocionais. A Black Friday ocorre em 27 de novembro.

Quais produtos o iFood pretende destacar na Black Friday?

A empresa dará atenção especial a produtos de supermercado, atacado, farmácia, suplementos, beleza, itens para pets, bebidas e outras categorias de consumo cotidiano.

O iFood está se tornando um marketplace?

O iFood já opera um modelo de marketplace que conecta consumidores a estabelecimentos parceiros. A expansão de categorias amplia sua atuação além das refeições e fortalece seu posicionamento como plataforma de conveniência e comércio digital.

O que é quick commerce?

Quick commerce é um modelo de comércio eletrônico que prioriza entregas rápidas de produtos, especialmente itens de consumo frequente. Ele combina tecnologia, proximidade logística e conveniência para atender demandas cotidianas.

Como a expansão do iFood afeta os sellers?

A expansão aumenta a concorrência por consumidores em categorias como mercado, farmácia e pet. Também cria oportunidades comerciais para empresas que conseguem atender aos requisitos das plataformas e operar com margens sustentáveis.

Vale a pena vender em vários marketplaces?

A atuação multicanal pode ampliar o alcance comercial e reduzir a dependência de uma única plataforma. Entretanto, exige controle de estoque, preços, comissões, logística e indicadores de rentabilidade.

Como preparar um e-commerce para uma Black Friday prolongada?

O planejamento deve incluir análise de produtos prioritários, negociação com fornecedores, gestão de estoque, cálculo de margem, calendário promocional, estrutura de atendimento e acompanhamento de indicadores durante toda a campanha.

Seu e-commerce precisa escalar?

Oferecemos um ecossistema completo para gerir seu e-commerce de ponta a ponta. Fale com um de nossos especialistas e receba uma avaliação para sua operação.

Continue lendo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Cadastre-se em nossa Newslleter

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!