DHL prepara operação para 37 milhões de itens e revela o desafio logístico da Black Friday 2026

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DHL prevê movimentar 37 milhões de itens na Black Friday 2026 e aposta em robôs e automação. Veja os impactos na logística do e-commerce.

A Black Friday 2026 está levando o setor logístico brasileiro a preparar operações de escala cada vez maior. A DHL Supply Chain anunciou uma estrutura para movimentar mais de 37 milhões de unidades no e-commerce durante o pico de novembro, combinando automação, robôs de apoio à separação de pedidos, inteligência artificial e reforço de mão de obra.

O volume projetado representa um crescimento de aproximadamente 19% em relação a um mês convencional de operação. Para atender à demanda, a companhia também prevê contratar cerca de 2.600 profissionais temporários, enquanto amplia o uso de tecnologias capazes de acelerar o processamento e a expedição de mercadorias.

Os números, divulgados em 22 de outubro de 2026, revelam uma transformação importante no comércio eletrônico.

A logística deixou de ser apenas a etapa final da venda e passou a representar um dos principais fatores de competitividade entre lojas virtuais, marketplaces e grandes varejistas.

Para sellers, o movimento traz um alerta. Em um mercado com campanhas cada vez mais longas e consumidores exigentes, conseguir vender é apenas parte do desafio. A operação também precisa garantir que os pedidos sejam separados corretamente, expedidos no prazo e entregues conforme a promessa apresentada na compra.

A Black Friday está mudando a rotina dos centros de distribuição

Durante muitos anos, a preparação logística para a Black Friday era concentrada principalmente na última sexta-feira de novembro e nos dias imediatamente posteriores.

Esse cenário mudou.

Campanhas como 11.11, Black Week, Black Friday e Cyber Monday ampliaram o período de maior atividade comercial. A demanda passou a ser distribuída por várias semanas, exigindo planejamento mais abrangente.

Segundo Solon Barrios, vice-presidente de Retail e E-commerce da DHL Supply Chain no Brasil, a empresa projeta crescimento de 27% no volume de mercadorias durante a temporada de alta demanda entre outubro e dezembro.

Para novembro, a estimativa supera 37 milhões de unidades movimentadas.

A operação precisa responder não apenas ao aumento da quantidade de produtos, mas também à mudança na composição dos pedidos.

Em vez de poucas remessas de grande volume, cresce a necessidade de processar milhares de pedidos individuais com diferentes produtos, endereços e condições de entrega.

Isso altera completamente a rotina dos armazéns.

Pedidos individuais exigem mais trabalho que grandes remessas

Um dos indicadores mais relevantes divulgados pela DHL está relacionado ao perfil das operações omnichannel, que integram vendas para empresas e consumidores finais.

Em meses convencionais, aproximadamente 15% do volume dessas operações é direcionado ao consumidor final, no modelo B2C.

Durante a Black Friday e o Natal, essa participação pode chegar a 28%.

Essa mudança representa muito mais do que um aumento percentual.

Uma operação B2B pode envolver o envio de caixas fechadas ou pallets completos para distribuidores e lojas físicas.

Já uma operação B2C precisa separar unidades individuais, conferir produtos, preparar embalagens e organizar entregas destinadas a diferentes consumidores.

Imagine um centro de distribuição que recebe um pedido de 500 unidades para uma única loja.

O processamento pode envolver um número relativamente pequeno de volumes e um único destino.

Agora considere 500 pedidos individuais, cada um destinado a um endereço diferente.

Mesmo com quantidade semelhante de produtos, a complexidade de processamento é significativamente maior.

É justamente esse tipo de transformação que está pressionando as estruturas logísticas durante as campanhas promocionais.

A produtividade precisa ser medida além do volume expedido

Para empresas que vendem online, acompanhar apenas a quantidade de produtos enviados pode não ser suficiente.

É necessário observar também o número de pedidos processados, o tempo de separação, a taxa de erros e o custo operacional por transação.

Uma operação pode movimentar mais unidades e apresentar desempenho inferior quando o número de pedidos individuais cresce de maneira desproporcional.

Por isso, indicadores como produtividade por operador, pedidos expedidos por hora e precisão na separação passam a ganhar importância.

Robôs estão ajudando a acelerar a separação de pedidos

Para lidar com o crescimento da demanda, a DHL vem ampliando o uso de robôs de apoio nos centros de distribuição.

Esses equipamentos ajudam principalmente na movimentação horizontal das mercadorias dentro dos armazéns.

Em operações convencionais, parte significativa do tempo dos colaboradores pode ser consumida em deslocamentos entre corredores, posições de estoque e áreas de separação.

A utilização de robôs permite reduzir parte desses percursos, deixando os profissionais mais concentrados nas atividades de conferência e preparação dos pedidos.

Segundo informações apresentadas pela empresa, a tecnologia já proporcionou ganhos de aproximadamente 14% nas atividades de deslocamento horizontal.

Esse resultado ajuda a explicar por que a automação está recebendo investimentos crescentes no setor.

O objetivo não é apenas executar tarefas mais rapidamente.

É aumentar a capacidade de processamento sem elevar os custos operacionais na mesma proporção.

Para grandes operações, pequenas melhorias de produtividade podem representar ganhos importantes quando aplicadas a milhões de pedidos.

Leitura automática de etiquetas reduz tarefas manuais

Outra tecnologia utilizada pela DHL é o reconhecimento óptico de caracteres, conhecido como OCR.

O sistema permite capturar informações presentes nas etiquetas das encomendas e enviá-las automaticamente ao software de gestão do armazém.

Entre os dados processados estão CEP, número do pedido e transportadora responsável.

Essas informações podem ser integradas ao WMS, sistema utilizado para controlar atividades como recebimento, armazenagem, separação e expedição.

Na prática, a tecnologia reduz a necessidade de digitação manual e facilita o direcionamento dos pacotes.

O benefício potencial está na combinação entre velocidade e precisão.

Quanto maior o volume de pedidos, maior também se torna o impacto de processos manuais repetitivos.

Uma falha na leitura ou no cadastro de uma etiqueta pode provocar encaminhamento incorreto, atraso ou retrabalho.

Automatizar etapas de captura e validação contribui para reduzir esses riscos, desde que os sistemas estejam corretamente configurados.

A automação não eliminou a necessidade de contratar pessoas

Apesar do avanço tecnológico, a DHL anunciou a contratação de aproximadamente 2.600 trabalhadores temporários para reforçar sua operação na temporada.

O volume representa expansão de 38% nas contratações temporárias em relação à média mensal considerada pela empresa.

Atualmente, a divisão de Supply Chain da companhia no Brasil possui cerca de 24 mil colaboradores.

A combinação entre contratação e automação evidencia um ponto importante.

O crescimento do e-commerce não significa necessariamente que robôs substituirão todas as atividades humanas.

Em muitos processos, a tecnologia funciona como suporte para aumentar a produtividade e permitir que as equipes absorvam volumes maiores.

Separação, conferência, resolução de exceções, controle de qualidade e gestão operacional continuam exigindo profissionais capacitados.

O desafio passa a ser organizar a colaboração entre pessoas e sistemas automatizados.

Para operações menores, essa lógica também se aplica.

Mesmo sem robôs, melhorias na organização física do estoque, padronização de processos e utilização de sistemas integrados podem reduzir deslocamentos e retrabalho.

Fulfillment ganha relevância na estratégia dos varejistas

A DHL também está expandindo sua estrutura de fulfillment no Brasil.

A rede DHL Fulfillment Network possui cinco centros de distribuição localizados em Cajamar e Jandira, em São Paulo, Extrema, em Minas Gerais, Serra, no Espírito Santo, e Brasília, no Distrito Federal.

Juntas, essas estruturas somam mais de 35 mil metros quadrados de armazenagem.

O crescimento da área é de aproximadamente 67% em comparação com 2025.

O modelo de fulfillment reúne diferentes etapas da operação logística, incluindo armazenagem, gestão dos pedidos, separação, embalagem e expedição.

Para o varejista, uma das vantagens possíveis é transformar parte da estrutura logística própria em um modelo de serviço contratado conforme a demanda.

Isso pode reduzir a necessidade de manter grandes áreas de armazenagem e equipes fixas para suportar os picos sazonais.

Entretanto, a decisão precisa considerar custos, volume, características dos produtos e integração tecnológica.

Ter estoque mais perto do consumidor pode reduzir prazos

A distribuição geográfica dos centros logísticos também influencia a competitividade das ofertas.

Quando o estoque está concentrado em uma única região, consumidores de estados distantes podem enfrentar prazos maiores e custos de transporte mais elevados.

Uma rede com múltiplos centros de distribuição permite avaliar a distribuição estratégica dos produtos de acordo com a localização da demanda.

Essa possibilidade é especialmente relevante para sellers que vendem nacionalmente.

O crescimento de pedidos em determinadas regiões pode justificar novos parceiros logísticos ou modalidades de fulfillment.

Mas descentralizar estoque também envolve riscos, como aumento do capital imobilizado e maior complexidade de reposição.

Por isso, a decisão precisa considerar histórico de vendas, giro dos produtos e custo total de atendimento.

A última milha passa a ser uma disputa tecnológica

Além dos centros de distribuição, a DHL utiliza uma estrutura de gestão da última milha, etapa responsável por levar a encomenda até o consumidor.

A companhia opera uma rede de 17 unidades voltadas a essa fase e utiliza uma solução chamada Last Mile Orchestration.

A plataforma permite coordenar transportadoras, rotas e canais de entrega em um ambiente centralizado.

A seleção do parceiro responsável por determinado pacote pode considerar fatores como custo, prazo, capacidade operacional e desempenho.

Isso representa uma evolução importante em relação à contratação de uma única transportadora para todos os pedidos.

Diferentes regiões possuem características logísticas distintas.

Uma transportadora pode ser mais competitiva em São Paulo, enquanto outra oferece melhores condições para entregas no interior ou em estados mais distantes.

A utilização de múltiplos parceiros pode ampliar a flexibilidade da operação.

Entretanto, exige integração de dados, acompanhamento de rastreamento e gestão de ocorrências.

Para o consumidor, toda essa estrutura normalmente aparece de maneira simples: uma promessa de entrega apresentada no momento da compra.

Cumprir o prazo pode ser mais importante que prometer a entrega mais rápida

A velocidade de entrega ganhou grande destaque no comércio eletrônico brasileiro.

Marketplaces passaram a disputar consumidores com prazos cada vez menores, incluindo entregas no mesmo dia ou no dia seguinte em localidades elegíveis.

Entretanto, oferecer o prazo mais curto nem sempre representa a melhor experiência.

Uma entrega prometida para o dia seguinte e realizada com atraso pode gerar mais insatisfação do que uma entrega prevista para três dias e concluída corretamente.

Por isso, o cumprimento da promessa é um indicador essencial.

A DHL afirma trabalhar com meta de 98% para seu indicador de entregas dentro do prazo, conhecido como On Time Delivery.

O dado representa uma meta operacional da empresa, não um padrão obrigatório para todo o mercado.

Para sellers, a principal lição está na consistência.

É necessário apresentar prazos realistas, acompanhar o desempenho das transportadoras e comunicar ocorrências com transparência.

A confiança do consumidor depende não apenas da rapidez, mas também da previsibilidade.

O que as pequenas e médias operações podem aprender com a DHL

Embora a estrutura apresentada pela DHL envolva milhões de unidades, os princípios podem ser adaptados a negócios menores.

O primeiro aprendizado está no planejamento antecipado.

Empresas precisam projetar a demanda, identificar produtos prioritários e revisar a capacidade de processamento antes do início das campanhas.

Outro ponto é a organização física do estoque.

Produtos de maior giro podem ser posicionados em áreas de acesso mais rápido, reduzindo deslocamentos durante a separação.

A padronização das embalagens também pode acelerar a expedição e diminuir erros.

Além disso, sistemas integrados entre ERP, marketplaces e plataformas de frete ajudam a reduzir tarefas manuais e melhorar a confiabilidade dos dados.

A capacidade de atendimento merece atenção semelhante.

Quanto maior o volume de pedidos, maior pode ser a quantidade de contatos relacionados a entregas, trocas e ocorrências.

A preparação logística deve considerar toda a jornada, não apenas o momento em que a encomenda sai do estoque.

O futuro da logística será definido pela capacidade de adaptação

A operação projetada pela DHL para a Black Friday 2026 demonstra como a logística está se tornando mais tecnológica, distribuída e orientada por dados.

Robôs, reconhecimento automático de etiquetas, integração de sistemas e orquestração de transportadoras deixam de ser iniciativas isoladas e passam a compor uma estrutura conectada.

O objetivo é responder a uma realidade em que o consumidor compra por diferentes canais e espera receber seus produtos com rapidez e confiabilidade.

Para sellers, o movimento reforça que a eficiência logística participa diretamente da competitividade comercial.

Preço e publicidade podem conquistar a venda.

Mas estoque, separação, expedição e entrega determinam se a promessa será cumprida.

Em uma temporada marcada pelo crescimento dos pedidos e pela pressão sobre os prazos, as operações mais preparadas terão melhores condições de transformar demanda em resultado sustentável.

Na Black Friday, vender milhões de produtos impressiona. Entregar cada pedido corretamente é o que sustenta a confiança do consumidor.


FAQ

Quantos produtos a DHL pretende movimentar na Black Friday 2026?

A DHL Supply Chain projeta movimentar mais de 37 milhões de unidades no e-commerce brasileiro durante o pico de novembro, dentro da temporada de alta demanda que inclui 11.11, Black Friday e Natal.

Quantos funcionários temporários a DHL vai contratar?

A empresa prevê aproximadamente 2.600 contratações temporárias para reforçar as operações durante o período promocional, aumento de 38% em relação à média mensal considerada.

Como a DHL utiliza robôs nos centros de distribuição?

Os robôs auxiliam na movimentação horizontal de mercadorias e apoiam processos de separação, reduzindo deslocamentos dos funcionários. A empresa relata ganhos de aproximadamente 14% nessas atividades.

O que é fulfillment no e-commerce?

Fulfillment é o conjunto de operações logísticas realizadas após a entrada de um produto no estoque, incluindo armazenagem, processamento de pedidos, separação, embalagem e expedição.

O que significa last mile na logística?

Last mile, ou última milha, é a etapa final da entrega, quando o produto sai da estrutura de distribuição e chega ao endereço do consumidor.

Como a inteligência artificial ajuda na logística?

A inteligência artificial pode apoiar previsão de demanda, planejamento de capacidade, análise de rotas, identificação de anomalias e decisões operacionais, desde que esteja conectada a dados confiáveis.

Como pequenos sellers podem melhorar a logística para a Black Friday?

É importante revisar o estoque, organizar produtos por giro, padronizar processos de separação, utilizar sistemas integrados, acompanhar transportadoras e dimensionar a capacidade de expedição.

Por que a logística influencia as vendas nos marketplaces?

Prazo de entrega, custo do frete, disponibilidade e confiabilidade são fatores que podem influenciar a decisão de compra. Problemas logísticos também podem prejudicar a reputação do vendedor e aumentar as reclamações.

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