
A Copa do Mundo de 2026 se aproxima, e com ela, uma revolução silenciosa no comportamento do consumidor brasileiro. Longe de ser apenas um evento esportivo, o torneio se consolida como um catalisador de mudanças profundas no consumo digital, exigindo que marcas e marketplaces repensem suas estratégias para converter a atenção fragmentada em vendas efetivas. Em um cenário onde a audiência se distribui por múltiplas telas, redes sociais e conteúdos gerados por criadores, a disputa pela atenção se intensifica, e a capacidade de conectar visibilidade à conversão torna-se o grande diferencial.
A fragmentação da audiência e a jornada multicanal
Pesquisas recentes sobre comportamento de consumo e audiência digital revelam que o brasileiro acompanhará a Copa do Mundo em uma jornada cada vez mais fragmentada. O jogo, embora central, é apenas uma parte da experiência. O consumo da Copa passa por múltiplas telas, redes sociais, anúncios, marketplaces e conteúdos produzidos por criadores.
Um levantamento da Opinion Box e da Expertise aponta que 98% dos entrevistados têm o costume de assistir à Copa, com 66% planejando acompanhar todos os jogos disponíveis. A relevância emocional do evento permanece alta, com 63% dos entrevistados muito animados e 97% torcendo pelo Brasil. Paralelamente, o consumo associado ao torneio é amplo, abrangendo desde alimentos e bebidas até eletrônicos e itens temáticos.
Copa movimenta carrinhos de compra
A preparação para os jogos impulsiona diversas categorias do varejo. 28% dos entrevistados pretendem comprar televisão ou Smart TV. Churrasqueiras (15%), coolers (14%), sistemas de som (11%) e chopeiras (10%) também estão na lista de desejos. Itens de ambientação, como bandeiras (46%), roupas temáticas (43%) e bandeirinhas decorativas (42%), também ganham destaque.
O lar continua sendo o principal local para assistir às partidas (72%), seguido pela casa de amigos/familiares (53%) e bares (30%). Isso transforma a Copa em uma ocasião de compra tanto para quem assiste de forma concentrada quanto para quem organiza encontros sociais.
Tiago Cardoso, diretor geral da Criteo para a América Latina, ressalta que o impacto é maior em categorias ligadas à vivência dos jogos, como alimentos e bebidas, eletrônicos, artigos esportivos e viagens. Dados de 2022 indicaram intenções de compra de 72% para snacks, 66% para doces e chocolates, 60% para carnes e bebidas não alcoólicas, e 54% para bebidas alcoólicas.
A nova métrica da conversão
A principal mudança para 2026, segundo Cardoso, é a redução da distância entre atenção e compra. Em edições anteriores, o investimento em visibilidade não se traduzia facilmente em vendas. Agora, o uso de dados de comércio, retail media e otimização baseada em inteligência artificial permite identificar intenções de compra mais rapidamente e agir com maior precisão.
“As marcas que enxergarem a Copa do Mundo apenas como uma oportunidade de branding correm o risco de deixar receita mensurável na mesa”, alerta Cardoso. A jornada de compra é fluida, com planejamento antecipado para itens de maior valor e decisões aceleradas por resultados de partidas e momentos marcantes do torneio. As campanhas precisam ser ajustadas em tempo real, com mudanças em orçamento, criativos e ativações.
Audiência digital e multiplataforma
A disputa pela atenção se fragmenta entre canais. A TV aberta ainda lidera (72%), mas plataformas digitais como CazéTV (YouTube, 63%) e SporTV (49%) estão próximas. O comportamento multitela é a norma: 62% dos torcedores planejam acompanhar resultados e comentários em tempo real nas redes sociais (WhatsApp, Instagram, TikTok, YouTube) enquanto assistem aos jogos.
Salomão Araújo, VP Comercial da Rakuten Advertising, destaca que o torcedor não depende mais de uma única tela. “Para as marcas, isso significa repensar a abordagem de presença e comunicação para acompanhar uma audiência cada vez mais conectada e dinâmica”, afirma.
A ponte entre interesse e conversão
Com o consumidor transitando entre transmissões, redes sociais e ambientes de compra, o retail media ganha relevância. Cardoso explica que esse canal aproxima os anunciantes do momento de maior intenção de compra, transformando a atenção em ação.
A mensuração vai além do alcance e impressões, focando em aumento de vendas, ROI em mídia, tráfego qualificado e retenção pós-evento. É crucial medir o desempenho em momentos específicos das partidas para entender quando a intenção de compra aumenta.
Creators no centro da conversa
O conteúdo produzido por criadores se torna vital. A competição cultural da Copa acontece nas redes sociais, com memes, comentários, vídeos curtos e análises. Marlon Faria, diretor de Marketing de Influência da iD\TBWA, afirma que os creators falam a linguagem nativa da cultura digital, e a confiança com a audiência supera a simples exposição.
“Quando uma marca se integra genuinamente a esse universo, o conteúdo deixa de ser publicidade e vira parte do tecido cultural do evento”, diz Faria. O papel dos criadores é ajudar o público a viver melhor o torneio, e a marca se torna parte da experiência.
Influência além do engajamento
A presença de creators exige uma leitura sofisticada dos resultados. Métricas como alcance e engajamento são importantes, mas não sempre indicam influência real na decisão de compra. Ferramentas como brand lift, social listening e atribuição de conversão ajudam a rastrear a jornada. O desafio é diferenciar criadores que geram repercussão superficial daqueles que movimentam intenção e decisão.
Segurança de marca em um cenário de alta exposição
A Copa amplia os riscos para as marcas. Em um ambiente de grande volume de conteúdo em tempo real, a exposição pode ocorrer ao lado de contextos inadequados. Edvaldo Silva, diretor regional da Zefr, destaca que participar da conversa exige inteligência contextual. Uma conversa sobre um lance pode migrar para temas políticos ou desinformação, tornando estratégias baseadas apenas em palavras-chave insuficientes.
Riscos como desinformação, conteúdos ofensivos, discursos de ódio, pirataria e conteúdos manipulados por IA são acelerados em grandes eventos. O caminho é o brand suitability, com análise contínua de vídeo, áudio, imagem e narrativa, permitindo que as marcas participem da espontaneidade das redes com segurança.
A Copa como laboratório de inovação
A Copa do Mundo de 2026 é mais do que um evento esportivo; é um laboratório de inovação para o e-commerce brasileiro. A fragmentação da audiência, a ascensão do retail media e o protagonismo dos creators exigem uma adaptação ágil e estratégica das marcas. Aquelas que souberem integrar mídia, influência, segurança de marca e mensuração comercial estarão à frente, transformando a paixão nacional pelo futebol em resultados concretos no ambiente digital.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Como a Copa do Mundo 2026 impacta o e-commerce brasileiro?
A Copa impulsiona o consumo em diversas categorias (eletrônicos, alimentos, itens temáticos) e exige que as marcas adaptem suas estratégias de marketing digital para uma audiência fragmentada e multicanal .
O que é Retail Media e qual sua importância na Copa?
Retail Media são anúncios exibidos em plataformas de e-commerce. Na Copa, ele se torna crucial para aproximar os anunciantes do momento de maior intenção de compra, convertendo a atenção do consumidor em vendas efetivas.
Qual o papel dos influenciadores digitais (creators) na estratégia da Copa?
Os creators são fundamentais para gerar conteúdo autêntico e engajador, falando a linguagem nativa da cultura digital. Eles ajudam as marcas a se integrarem à experiência do evento, construindo relevância e validação social.
Quais os principais riscos para as marcas durante a Copa do Mundo?
Os riscos incluem exposição a desinformação, conteúdos ofensivos, discursos de ódio, pirataria de transmissões e conteúdos manipulados por IA, exigindo estratégias de brand suitability e inteligência contextual.
Como as marcas podem medir o sucesso de suas campanhas na Copa?
Além de alcance e impressões, é importante medir aumento de vendas, ROI em mídia, tráfego qualificado, retenção de clientes e o desempenho em momentos específicos das partidas para otimizar as ativações.

